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  • Foto do escritorLuan Radney

Living Colour detona fundador da Rolling Stone após discurso racista e desculpa esfarrapada


Foto por Travis Shinn


Recentemente, o jornalista Jann Wenner, fundador da revista Rolling Stone, foi expulso do Conselho de Administração do Hall da Fama do Rock após conceder entrevista ao New York Times na qual deu opiniões preconceituosas a respeito de gênero e cor dentro da música.


Segundo o site Tenho Mais Discos Que Amigos, no papo, como informou a Billboard, o profissional da imprensa defendeu seu novo livro, The Masters, que traz depoimentos de figuras relevantes da música e vem sendo questionado por não ter trazido nenhuma entrevista com artistas mulheres ou pretos.





Com a repercussão das declarações, Jann emitiu um comunicado pedindo desculpas por suas falas, mas reforçando a sua tentativa de justificar a própria obra:

Na minha entrevista com o New York Times, eu fiz comentários que diminuíram a contribuição, genialidade, e impacto de artistas negros e mulheres e peço desculpas de coração por essas afirmações. ‘The Masters’ é uma coletânea de entrevistas que fiz ao longo dos anos que pareciam representar para mim a ideia do impacto do Rock and Roll no meu mundo; não deveriam representar tudo que existe na música e as suas origens diversas e importantes, mas refletir os pontos altos da minha carreira e entrevistas que eu achava que ilustravam a imensidão e experiência nessa carreira. Elas não refletem minha apreciação e admiração pelo totem miríade de artistas que mudaram o mundo cujas músicas e ideias eu reverencio e irei celebrar e promover enquanto eu viver. Eu entendo completamente a natureza inflamada de palavras mal escolhidas e peço profundas desculpas e aceito as consequências.

Quem rebateu as falas discriminatórias de Wenner, e até mesmo o seu pedido de desculpas, foi o Living Colour, banda que ficou famosa com o hit “Cult of Personality” e tem uma carreira de muito destaque inclusive na luta contra o racismo.

Living Colour rebate fundador da Rolling Stone


A banda foi ao Twitter nesta segunda feira (18) para condenar o discurso do jornalista. Na publicação, o veterano grupo destacou que o fato de Jann intitular seu livro “The Masters” (“Os Mestres”, em português) sem incluir uma única mulher ou artista negro é absurdo por si só.





A postagem, assinada pelo vocalista Corey Glover, pelo baixista Muzz Skillings e pelo baterista Will Calhoun, diz:

Nós, os membros do Living Colour, gostaríamos de comentar o recente pedido de desculpas de Jann Wenner em função das declarações controversas feitas em defesa de seu novo livro. A própria ideia de um livro chamado ‘The Masters’, que omite descaradamente as contribuições essenciais dos negros, das pessoas de cor e das mulheres para a cultura do rock e pop, fala de um problema muito maior e mais sistêmico. Sua declaração em entrevista ao New York Times de que artistas afro-americanos e mulheres não são ‘articulados’ o suficiente para se expressarem sobre seu próprio trabalho é absurda à primeira vista. Para alguém que narra o cenário musical há mais de 50 anos, é um insulto para aqueles de nós que estão sentados aos pés desses gênios esquecidos. Ouvir que ele acredita que Stevie Wonder não é articulado o suficiente para expressar seus pensamentos sobre qualquer assunto é, francamente, um insulto. Ouvir que Janis Joplin, Joni Mitchell, Tina Turner ou qualquer uma das muitas artistas mulheres que ele escolheu não mencionar não são dignas do status de ‘mestre’ cheira a uma divisão machista e comportamento excludente. O pedido de desculpas de Werner só solidifica a ideia. O fato de seu livro ser um reflexo de sua visão de mundo sugere que ele é limitado e pequeno.

Fundador da Rolling Stone escreveu livro polêmico


Em sua entrevista para o jornal, Wenner, de 77 anos, discutiu o fato de seu livro reunir apenas entrevistas feitas ao longo de sua carreira com homens brancos, incluindo Bono, do U2, Bob Dylan, Jerry Garcia, Mick Jagger e John Lennon.


Wenner, que fundou a Rolling Stone em 1967 e foi seu editor e diretor editorial até 2019, foi removido do Hall da Fama do Rock no último sábado (16) após uma votação de emergência em que todos os membros do conselho, exceto um, optaram por destituí-lo.







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