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  • Foto do escritorLuan Radney

David Gilmour divulga documentário com acusações de antissemitismo contra Roger Waters



Nos últimos anos, Roger Waters tem recebido frequentes acusações de antissemitismo. Com depoimentos e análises, o assunto é abordado no recém-lançado minidocumentário “The Dark Side of Roger Waters”, idealizado pela Campaign Against Antisemitism — instituição de caridade que declara ser dedicada a “expor e combater o antissemitismo”.


De um lado, o ex-integrante do Pink Floyd e ativista em defesa da causa palestina não gostou do filme. Em nota, disse que a produção “distorce e deturpa totalmente a minha visão sobre o estado israelita e a sua ideologia política” e que “manipula filmagens e citações”. Do outro, seu antigo companheiro de banda, David Gilmour — com quem protagonizou muitas brigas —, até divulgou a obra.


No X/Twitter (via Consequence), o vocalista e guitarrista compartilhou uma postagem da Campaign Against Antisemitism composta por um vídeo do documentário completo. Além do registro, há um link para uma carta aberta pedindo o cancelamento dos shows de Waters no London Palladium, em Londres, nos dias 8 e 9 de outubro — marcados para comemorar o lançamento da regravação “The Dark Side of the Moon Redux”.


O conteúdo, que faz referência às entrevistas concedidas por Bob Ezrin, produtor do disco “The Wall” (1979), e Norbert Stachel, saxofonista, ainda diz:

“‘Kike [palavra ofensiva ao judeu] sujo’ ‘Comida judaica’ ‘M#rda de um judeu’ Roger Waters é antissemita? Assista ao ‘The Dark Side of Roger Waters’ agora e decida por si mesmo. Em seguida, se pronuncie em antisemitism.org/rogerwaters”



Polly Samson, escritora e esposa de Gilmour, já havia criticado a postura de Roger Waters recentemente. Pelo X/Twitter em fevereiro último, ela acusou o músico de antissemitismo e o chamou de “apologista de (Vladimir) Putin”, “misógino”, “mentiroso”, entre outras ofensas. Uma entrevista de Waters teria motivado a reação de Samson. Em resposta às declarações de Polly, Roger declarou em um show: “Tudo que eu tenho a dizer sobre Polly Samson é: imagina acordar e se deparar com aquilo toda manhã”.



Declarações de Bob Ezrin e Norbert Stachel

Bob Ezrin, produtor do disco “The Wall” (1979) e judeu, concedeu um depoimento ao “The Dark Side of Roger Waters”(via NME). Segundo o profissional, o ex-integrante do Pink Floyd teria chamado o agente da banda, Bryan Morrison, de “a m#rda de um judeu” durante uma brincadeira.

“Uma das últimas coisas que ele disse foi tipo ‘porque Morry é a m#rda de um judeu’. Foi o primeiro sinal para mim de que podia haver algum antissemitismo escondido. Roger sabia que eu sou judeu, então eu não sei se ele disse isso para apenas ver como eu reagiria ou se ele simplesmente não entendia o quão ofensivo isso poderia ser para uma pessoa judia.”

Outro relato veio de Norbert Stachel, saxofonista também judeu que trabalhou com o artista nos anos de 2000 e 2002. O instrumentista diz que, certa vez, Waters negou uma comida vegetariana por considerá-la judaica em um restaurante.

“Waters disse: ‘cadê a carne? Essa comida é judaica. O que há com a comida judaica? Tire essa comida daqui’. Eu estava sentado ali, sem saber o que dizer ou fazer, em pânico. Eu deveria ir embora e depois ser julgado?”

Stachel alegou ainda que o vocalista e baixista imitou sua avó, morta no Holocausto, de maneira incômoda.

“Ele fez isso entrando num personagem de uma mulher velha, passando a impressão de uma velha bruxa. Ele fez isso com a voz de uma camponesa judia polonesa.”

Em outra fala ao documentário, Ezrin complementa:

“Eu penso que ele se considera um antissemita? Aposto alguns dólares por donuts que ele não se considera e será a primeira pessoa a dizer: ‘Não sou contra nada, sou a favor de todos’. Mas como pessoa com uma plataforma pública poderosa, ele tem uma responsabilidade. entender que o que ele faz afeta outras pessoas.”

Gideon Falter, executivo-chefe da Campaign Against Antisemitism, disse em comunicado:

“Roger Waters é literalmente uma estrela do rock. Ele poderia fazer qualquer coisa. Ele tem esta plataforma que lhe permite influenciar dezenas de milhares de pessoas nos seus concertos, milhões de pessoas através das redes sociais, e ainda assim ele continua a usá-la para isso – para provocar judeus. Que tipo de pessoa faz isso com esse tipo de voz?”

Confira o documentário (em inglês e sem legendas) a seguir.




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