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  • Foto do escritorLuan Radney

Depeche Mode 'evita angústia' em Memento Mori e prepara shows sem Andy: ‘Nos afetará'.

Martin Gore, guitarrista do Depeche Mode, revelou inspirações e ressaltou que composição do disco ajudou a manter a mente ocupada em entrevista à Rolling Stone Brasil.


“Lembre-se de que você é mortal.” É com esta mensagem que Depeche Mode, agora como um duo, lança seu primeiro disco após a morte de Andy Fletcher, tecladista e integrante fundador da banda. Engana-se, no entanto, quem pensa que Memento Mori é um disco melancólico. O projeto tem momentos de introspecção, é claro, mas seu papel foi justamente ensinar Dave Gahan e Martin Gore a olhar para frente durante alguns dos períodos mais delicados do luto.


“Obviamente, [o disco] foi feito em circunstâncias estranhas. Andy morreu seis semanas antes de quando começaríamos a gravar. Decidimos continuar, porque pensamos que seria melhor estar focado mentalmente na música, manter nossa mente nisso. Ficamos muito felizes com o resultado,” explicou Gore, guitarrista do grupo, em entrevista à Rolling Stone Brasil.


Em outras declarações durante o anúncio da nova fase, a dupla já demonstrava empolgação com um álbum do qual, segundo eles, Fletcher estaria orgulhoso. Apesar da aura que envolve Memento Mori, as faixas não nasceram com um propósito claro. Gore não sabia nem mesmo se elas integrariam o catálogo do Depeche Mode quando começou a compor ao lado de Richard Butler. As faixas, inclusive, foram as primeiras escritas pelo músico com pessoas de fora da banda.


“Ele [Butler] me enviou uma mensagem dizendo que deveríamos escrever uma música juntos. Como estávamos na pandemia, eu pensei que seria interessante. Na época, imaginávamos que seriam lançadas como um projeto paralelo. Fizemos seis canções que gostávamos. Eu gostei tanto que pensei em usá-las com o Depeche e perguntei a Richard.

Não tinha ideia do que ele iria responder, mas ele apenas disse: ‘Ok. Estou feliz que vai usá-las.’.


Faixas como “Soul With Me” ajudam a resumir as influências da banda, que consegue trazer sua identidade e uma mistura de texturas características de sua discografia sem se tornar repetitiva ou datada. Gore descreveu as combinações com um exemplo inusitado: “Como se os Beach Boys tivessem se encontrado com Kurt Vile e precisassem escrever uma música gospel.” A contraposição entre o debate sobre a morte presente nas letras e os instrumentais carregados de sintetizadores grandiosos parece dar o tom de alguns dos melhores momentos do álbum, como “Wagging Tongue. “Tudo parece vazio quando você assiste à morte de outro anjo,” diz um dos versos da canção.


“Ghosts Again,” primeiro single do disco, conseguiu uma recepção que nem os próprios integrantes imaginavam, alcançando um público “meio universal. A popularidade do Depeche Mode, que, como bem destacou Gore, sempre se renovou diante das novas gerações, foi alavancada ainda mais pela presença de “Never Let Me Down Again” em The Last of Us - sucesso de audiência da HBO Max.


Após o lançamento de Memento Mori, o próximo passo parece óbvio: apresentações ao vivo. Embora haja a empolgação de retornar às grandes excursões após cinco anos, o guitarrista admite que a ausência de Fletcher deve mexer com a banda: “Vai ser interessante ver como será ao vivo, porque será diferente e emocionante. Olhar ao redor do palco, o local onde Andy costumava ficar, vai nos afetar.”


Até o momento, Depeche Mode tem datas anunciadas no México, América do Norte e Europa, mas fãs brasileiros não devem se desanimar.


Caso Gahan e Gore estejam “curtindo” a experiência e decidam estender a turnê, a América do Sul deve ser o próximo destino.




Fonte: Rolling Stone Brasil

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